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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pensemos sobre política

O que você prefere: se informar e decidir ou ser ordenhado?



Estava eu, na segunda-feira passada (é, milagrosamente eu não faltei) assistindo a uma aula de História, quando a professora comenta sobre a nossa falta de moralidade em sempre procurar algo em troca das nossas ações, esse interesse que revela o quão egoístas somos.

Continuando, ela deu o exemplo da compra de voto. Daí, sempre tem um “gênio” na sala pra falar alguma m#$%@, e vomitou, digo, disse:  - ah, professora nenhum político presta mesmo, então eu prefiro ficar com o dinheiro no meu bolso!  - Lindo! Parabéns! -  pensei. E só não levantei e o aplaudi por meia hora por que depois destas sábias palavras a professora resolveu prosseguir a aula. Fez ela muito bem.

Pra você ver, queridíssimo leitor deste humilde blog, e eu que pensava estar numa sala de aula, no ensino superior, e julgava que todos ali fossem minimamente esclarecidos.

Para mim, pessoas que vendem o voto ou votam em branco ou nulo – e dão as justificativas mais variadas e ao mesmo tempo, as mesmas, são preguiçosas. São pessoas que preferem abster-se de sua responsabilidade como ser humano (nem falo em “cidadão”, por que considero, neste caso, um termo restrito) por pura preguiça de assistir debates, de pesquisar a vida dos candidatos, de procurar saber o posicionamento de certos políticos em relação a temas importantes (e polêmicos) tais como o aborto, a descriminalização das drogas, o casamento civil entre gays etc. – cuja discussão se faz imprescindível para a composição de uma democracia plena e que revelam, antes de tudo, quais são os fundamentos desses candidatos, suas ideologias e a maneira como vêem as outras pessoas.

A verdade é que sempre buscamos ir pelo caminho mais fácil, mesmo que esse caminho não seja o correto. É mais fácil dizer: pra quê eu vou escolher, se todos os políticos são iguais?

Consideremos por um momento que, de fato, todos os políticos que já ocupam ou ocuparam algum cargo não “prestam”. Os responsáveis por eles estarem lá não somos nós? A situação da quase inexistência de moralidade no congresso não é fruto da nossa histórica incapacidade de votar em bons candidatos? Nós brasileiros, “damos”, através de votações via web, um milhão de reais a um neonazista num reality show da TV Globo (entenda o termo neonazismo como uma nova modalidade da prática do ódio, utilizando-se como critérios a cor, a sexualidade, a nacionalidade, enfim, como novas formas de prática do preconceito) ou “elegemos” como ganhador de A Fazenda (reality show da Record) um indivíduo frustrado e enrustido (só pode!) que bate em mulher e é, contraditoriamente, ovacionado e tido com galã por aquelas que são deslumbradas ou tem em si um machismo tão historicamente enraizado ao ponto de acharem comum e sem importância a violência contra suas irmãs, mães e filhas.

Nós que, de acordo com as pesquisas para governador do estado, pretendemos votar em um candidato – que entre os interesses de sua “família empreendedora” e o do povo, irá, claramente, optar pelo primeiro e que a força de sua campanhas provém não de suas propostas mas da força do seu dinheiro – sabemos escolher o que é melhor para o nosso estado?  

Pergunto-me, incrédula, se iremos permitir que certos candidatos, que detém um imensurável poder econômico detenham também o poder político (ingrediente final para a transposição de qualquer limite que poderia existir ao seu intento de controlar, definitivamente, o estado) me fazendo vislumbrar um futuro Piauí com a cara do nosso vizinho Maranhão, pertencente à família Sarney.

Como o povo se submete a participar do projeto pessoal de alguns candidatos ao senado de se eternizarem no poder e que se utilizam para esse fim as palavras “Deus” / “família” / “minha mulher” / “povo do Piauí”, apelando sempre para os valores tradicionais que caracterizam, principalmente, o interior deste Estado? Não se deixe afetar, essas palavras somente representam os exemplos mais baixos das táticas de marketing.

A chegada desses tipos e de tantos outros semelhantes ao poder é responsabilidade nossa. Até quando permitiremos que a história com seus clientelismos, votos de cabresto e exemplos acima se fará, ininterruptamente, cíclica? Quando começaremos a aprender com a história os rumos que não devemos tomar, as atrocidades que não devemos ressuscitar?